Título original: The Corporation
Gênero: Documentário
Diretor: Mark Achbar, Jennifer Abbott e Joel Bakan
The Corporation é um documentário de Joel Bakan: “The Corporation– the Pathological Pursuit of Profit and Power” em tradução livre: A corporação – a busca patológica por lucro e poder. O filme faz uma reflexão sobre o impacto da globalização e de como as grandes corporações estão assumindo os papéis que eram dos governos. Se valendo de entrevistas com pensadores, jornalistas, executivos e de imagens de arquivo, o filme busca compreender a relação das corporações com a sociedade e tenta traçar seu perfil psicológico.
Traçando a princípio um breve histórico das corporações, o filme mostra como uma sentença favorável a uma delas no séc. XIX, gerou conseqüentemente sua interpretação jurídica como um individuo. O filme, ainda nesse breve histórico, mostra a influência política das corporações já naquele período. Aproveitando-se de uma brecha na lei, que beneficiava os então ex-escravos, as corporações fizeram valer seus interesses e começaram a solidificar suas bases. Pavimentando assim, uma legalidade questionável, mas efetiva, bem como, o direito de manter seu status de “individuo”, ou melhor, pessoa jurídica.
Após esse breve histórico o filme caminha em direção a observar as atuações de corporações ao longo do séc.XX, inclusive seus laços com regimes ditatoriais como o nazismo, em referência ao trabalho da IBM na logística do holocausto.
Podemos observar que o desenvolvimento do poderio de corporações, está diretamente relacionado ao fato delas não possuírem valores éticos, morais ou ecológicos e até passar por cima de direitos humanos em busca de lucro. Da mesma maneira, vemos que seu aparecimento e manutenção está ligada primeiro, a um paradigma de competição e individualismo, e segundo, a um oportunismo temporal, que se valendo de condições específicas, como falta de recursos econômicos, falta de infra-estrutura organizacional do estado e a existência de grande desigualdade entre as classes, aproveitaram para estabelecer áreas de exploração. Esses fatores unidos à falta de consciência ecológica e a massificação da propaganda, fizeram com que as corporações florescessem e multiplicassem seus lucros e poder.
No momento atual, o filme mostra a influência das corporações na vida cotidiana das populações. No caso do hormônio para aumento da produtividade de leite das vacas, fica claro que apesar de ser impróprio para consumo humano, o poder político da corporação em questão é tamanho, que impõe sua utilização. Ou seja, de maneira geral, as corporações não prestam serviço em direção ao bem estar geral, ao contrário, prejudicam a população e baseiam seus lucros justamente nas externalidades que causam.
No campo político fica óbvia a influência da supremacia das corporações e seu poder econômico, na administração pública. Tanto pela capacidade de manipulação da mídia, como pelo seu lobby junto aos poderes públicos. A falta de coesão do interesse público, faz com que esse, tenha menor força ao ser defendido do que os interesses das corporações. As corporações multiplicaram o poder de concentração de renda e acumulo de capital. Causam assim na opinião pública, uma forte influência por sua poderosa máquina de propaganda, de legitimação e manutenção.
O filme aponta em direção a superação e transcendência desses problemas através:
1- da informação e conscientização de que o problema existe;
2- do estimulo a participação mais efetiva dos indivíduos na administração pública;
3- de maior regulação, controle e prestação de contas das corporações à sociedade;
4- no desenvolvimento da consciência de consumo da população.
Em ultima análise, o perfil psicológico das grandes corporações, são na verdade apenas o reflexo do panorama dos valores e paradigmas vigentes atualmente. Uma mudança em direção a um mundo mais cooperativo, passa pela mudança de valores e atitudes em cada indivíduo. Se os valores em que estivéssemos baseados fossem o cooperativismo e não a competição, a ecologia e não a destruição, o bem estar social e não o lucro, o ser e não o ter, talvez as corporações tivessem outro perfil, que seria o reflexo dessa outra sociedade mais humana, ética e inteligente.
